Chris chamou de espiritualidade agressiva a atitude de pessoas que vem prefaciar qualquer evento com termos supostamente espirituais, Vamos segurar o espaço (hold the space)… vamos lembrar que
somos todos conectados com a criação original, vamos isso e
aquilo”.
Espiritualidade virou critério de
diferença entre quem ta por dentro e quem não esta, pra maioria das pessoas que se considera espiritual. Virou produto e moda. Conhecemos
gente que participa de círculos "espirituais" de maconha, de
respiração, de peyote, de meditação “trans pessoal”, círculos para honrar o
sagrado feminino, círculos de tudo que se pode imaginar, e se não incluo rituais de Ayahuasca entre eles é pra não jogar o sacramento da
Floresta nesse saco“multi-místico” que lembra um “combo” do Mac
Donald’s.
Nem
de propósito, quando estivemos na California nos feriados de Natal e Ano Novo,
encontramos, na casa que alugamos, milhões de exemplares de um livro de
ensinamentos "espirituais", que era um grotesco "how to" (como fazer para) ser poderoso e conseguir sucesso, num mumble
jumble de física e espiritualidade. O livro definia a graça religiosa, da seguinte maneira:
“Graça
é o girar dos campos de torção que formam a matéria, a realidade, e a
experiencia”.
Pra completer a ideia geral do livro, nas credenciais do cara que escreveu o prefácio, foi mencionado
o que ele próprio escreveu, sobre a ciência física de fazer milagres.
Eu tinha achado aquela casa bem legal, diante do mar e bem dividida internamente. Podia se ver o por do sol de cada uma de suas salas comunicantes,
e da varanda a que davam acesso. Podíamos estar todos juntos naquela
area sem nos sentir um em cima do outro, repartindo o mar, o céu e o sol,
enquanto fazíamos coisas diferentes. A possibilidade de ter
pessoas que amamos simplesmente respirando sob o mesmo teto que nós se revelou pra mim. Ate perceber que a autora do livro era a proprietária da casa, eu tinha pensado que quem morava ali devia ter uma cuca boa. Mas quando pensei que aquele livro devia ter sido escrito ali, fiquei
me perguntando como a autora dele pôde usar a vista do mar, do sol e do céu ali na frente, como pano de fundo pra sua vontade de explicar e dominar a divindade.
Nem
a paz da linha do horizonte, nem o azul do oceano pôde fazer com que baixasse as armas. Armas que se fantasiam de “ciência” para tirotear a liberdade do
espírito, inventando regras para se aprender, obedecer, e fazer acontecer.
Na
terra do controle remoto, tudo tem que ser controlado. Mas pra espiritualidade dar a impressão de que pode virar opção de controle remoto, tem de se tentar transforma-la em ciência e roubar seu mistério.
O livro da proprietária tinha promessas veladas de sucesso
financeiro. Claro. Quem quer controlar, quer dinheiro. E quem tem saco pra tentar aprender
a controlar o mundo espiritual em favor próprio é incapaz de baixar as armas, de, justamente, abaixar a cabeça e se render ao espirito.
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